Imersão à cultura, folclore e inclusão por meio da tradução de cantigas para a Libras
Educação
Os educandos das 2ª séries do Colégio Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação, mergulharam no universo da cultura e do folclore brasileiro com um olhar atento à acessibilidade e à inclusão. O projeto pedagógico aliou pesquisa, produção textual e tradução de cantigas infantis para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), com o objetivo de aproximar o patrimônio cultural imaterial dos educandos e promover reflexões sobre a Língua, o respeito e os direitos.
Para isso, os educandos investigaram conceitos de cultura e folclore brasileiro, coletaram dados estatísticos e aprofundaram-se nas cantigas infantis, manifestações orais que atravessam gerações. A partir desse percurso, cada grupo selecionou uma cantiga para traduzir e adaptar à Libras, considerando aspectos culturais e linguísticos. A proposta também incluiu uma etapa de conscientização sobre termos pejorativos e linguagem respeitosa, identificando expressões como “surdo-mudo”, “surdinho”, “mudo” e outras que perpetuam estereótipos equivocados, pois a surdez não significa impossibilidade de comunicação. Aprenderam que o termo correto é pessoa surda ou simplesmente surdo, reconhecendo a Libras como língua própria e não como mero recurso de compensação.
Após esse processo, os grupos levaram as cantigas aos educandos do Ensino Fundamental - Anos Iniciais, em uma atividade planejada com intencionalidade pedagógica para valorizar a criatividade, a imersão no tema e a vivência da Libras de forma integrada. Para isso, os educandos se caracterizaram de acordo com as cantigas escolhidas e realizaram as apresentações em Libras, ensinando os sinais presentes nas músicas e convidando os educandos mais novos a reproduzi-los. Assim, a proposta transformou o momento em uma experiência de interação e troca, aproximando os educandos da cultura popular brasileira de maneira acessível e significativa.
O projeto também propôs a reflexão sobre o que significa viver em uma comunidade predominantemente ouvinte: barreiras de comunicação, falta de acessibilidade, invisibilidade e o que especialistas denominam audismo, a discriminação ou desvalorização de quem se comunica por meio de línguas de sinais. Os educandos foram levados a compreender que a comunidade surda constitui uma minoria linguística e cultural, com identidade, valores e forma de ver o mundo próprios.
Esse reconhecimento se apoia em leis fundamentais: a Lei nº 10.436/2002, que reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão no Brasil; o Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta seu uso e difusão; e a Lei nº 14.191/2021, que institui a educação bilíngue de surdos e garante respeito à diversidade linguística e cultural. Conhecer essas leis é garantir que direitos não fiquem apenas no papel, concretizando-os.
Cada cantiga selecionada foi traduzida e adaptada para a Libras com cuidado cultural e linguístico, proporcionando uma interação genuína entre os envolvidos. Ao final, os educandos apresentaram o trabalho aos educandos do Ensino Fundamental - Anos Iniciais, promovendo acesso à cultura com empatia e demonstrando que o respeito também se mede pelas palavras que escolhemos. Além disso, folclore, língua e direitos andam juntos, e a verdadeira inclusão começa quando se aprende a ouvir e a falar com respeito, destaca a professora responsável.