SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Arthur Barella Ortiz e Guilherme Ruocco Rodrigues de Melo, educandos da 2ª série 1, sobre a busca pelo poder em “Quincas Borba”

Educação

25 de Setembro de 2026
SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Arthur Barella Ortiz e Guilherme Ruocco Rodrigues de Melo, educandos da 2ª série 1, sobre a busca pelo poder em “Quincas Borba”

Por meio da literatura, é possível compreender diferentes aspectos da sociedade e refletir sobre comportamentos, valores e relações que atravessam diferentes épocas. No Projeto SAGRADO Acadêmico, os educandos são convidados a analisar obras literárias a partir de diferentes perspectivas, relacionando seus conhecimentos e desenvolvendo o pensamento crítico por meio da produção de artigos de opinião.

Nesta edição, os educandos da 2ª série 1, Arthur Barella Ortiz e Guilherme Ruocco Rodrigues de Melo, analisam o romance “Quincas Borba”, de Machado de Assis. A produção aborda a ambição, o poder, a busca por reconhecimento e as relações de interesse presentes na obra, estabelecendo relações com a desigualdade social e a competitividade que também fazem parte da sociedade contemporânea.

A partir da trajetória de Rubião e dos conflitos apresentados na narrativa, os educandos refletem sobre os efeitos da busca excessiva por prestígio, riqueza e ascensão social. O artigo também questiona a ideia de meritocracia ao discutir como fatores econômicos, sociais e as oportunidades disponíveis influenciam as possibilidades de cada indivíduo.

Confira, na íntegra, o artigo produzido pelos educandos:


O PREÇO DA BUSCA PELO PODER

 

“Ao vencedor, as batatas!”[1]


Arthur Barella Ortiz
Guilherme Ruocco Rodrigues de Melo

Em uma sociedade pautada pela busca por sucesso, pelo reconhecimento e pelo poder social, a competição se consolida como um traço marcante da vida. Nas redes sociais, no ambiente de trabalho e até mesmo nas relações mais próximas, muitas pessoas buscam se destacar e atingir seus objetivos a qualquer custo. Essa realidade pode ser relacionada à obra Quincas Borba, na qual os interesses pessoais e a forte ambição tomam a frente das ações das personagens, evidenciando as consequências da busca desenfreada por reconhecimento social.

Lançado em 1891, Quincas Borba, de Machado de Assis, o autor explora ambição, poder e manipulação e seus efeitos nas relações sociais. Apresenta ainda o Humanitismo, doutrina criada pelo personagem para explicar a vida como competição. Machado expõe, assim, a fragilidade humana e permanece atual. Durante o século XIX, a sociedade era caracterizada pela forte desigualdade e pela valorização do poder social e da riqueza. Nesse contexto, muitas pessoas buscavam ascender socialmente, mesmo que, para isso, agissem por interesse acima de seus valores.

Embora a sociedade tenha passado por diversas mudanças desde então, essas questões permanecem presentes sob novas formas: o individualismo, a competitividade excessiva e a busca por reconhecimento continuam influenciando o comportamento e o modo de vida do indivíduo. Dessa forma, as relações apresentadas em Quincas Borba permanecem relevantes ao evidenciar que a ambição descontrolada e o interesse próprio ainda representam grandes desafios para a sociedade contemporânea.

O personagem enfrenta conflitos internos e psicológicos, agravados pela solidão, pela manipulação e pela dificuldade de enxergar as verdadeiras intenções de quem o cerca. Tais vivências trazem-lhe sequelas, e Rubião perde progressivamente o equilíbrio e a lucidez. Dessa forma, a narrativa constitui profunda reflexão sobre a fragilidade humana, a ganância, as relações sociais e os riscos de se confiar em quem não deseja o nosso bem.

O sucesso não depende apenas do esforço individual: fatores econômicos e sociais definem também as oportunidades de cada um. A ironia da narrativa revela comportamentos que a sociedade costuma aceitar como naturais. Assemelha-se ao enredo da obra a conduta social contemporânea na busca excessiva por prestígio, poder e reconhecimento, muitas vezes acima da ética e do bem comum.

Para retratar a sociedade de seu tempo, Machado de Assis emprega ironia, crítica social e construção psicológica das personagens, expondo comportamentos guiados pela ambição e pela busca de ascensão. A ironia convida o leitor a questionar padrões tidos como normais no século XIX, ao passo que a trajetória de Rubião mostra como a riqueza, quando supervalorizada, pode causar sofrimento. Outro ponto central é a forma como o interesse motiva relações. Machado demonstra vínculos superficiais e oportunistas — crítica que permanece atual. Por isso, a obra nos leva a refletir sobre o valor de amizades verdadeiras, alicerçadas em afeto, confiança e respeito, e não em riquezas ou reconhecimento.

A desigualdade social e a crítica à meritocracia constituem eixo central da obra. Em Quincas Borba, a herança recebida por Rubião altera inteiramente a forma como é recebido pela sociedade, revelando que seu status passa a depender da riqueza e não de suas qualidades próprias. Machado de Assis questiona, assim, a crença de que o sucesso resulte apenas do esforço individual, ao expor que a suposta "meritocracia" mascara desigualdades estruturais (Gledson, 1990).

Ainda hoje, muitos acreditam que o trabalho por si só garante chances iguais. No entanto, acesso à educação, situação econômica e origem social moldam diretamente as possibilidades de ascensão, mostrando que essa visão é incompleta. Por isso, a obra demonstra que as desigualdades não se explicam pelo mérito: privilégios e oportunidades também definem o destino. Ao trazer essa crítica, o autor convida o leitor a refletir com equidade: a igualdade de oportunidades depende tanto do empenho de cada um quanto das condições sociais em que se vive.


A reflexão apresentada pelos educandos evidencia como a literatura de Machado de Assis transcende a narrativa do século XIX ao provocar discussões acerca da ambição, da desigualdade social, do poder e das relações baseadas no interesse. Ao analisarem a trajetória de Rubião e os mecanismos sociais presentes em “Quincas Borba”, os educandos constroem uma leitura crítica sobre os impactos da busca por reconhecimento e ascensão social.

O artigo demonstra maturidade analítica ao relacionar a obra literária às discussões sobre meritocracia, oportunidades e desigualdade, articulando referências históricas e sociais para compreender como as condições econômicas e a origem social influenciam as possibilidades de cada indivíduo. Ao aproximar a obra de questões que permanecem presentes na sociedade contemporânea, os educandos revelam capacidade de interpretação e pensamento crítico diante de uma temática de grande relevância social. O Projeto SAGRADO Acadêmico reafirma, assim, o protagonismo dos educandos na produção de reflexões consistentes e socialmente significativas, valorizando a pesquisa, a análise e a construção de argumentos fundamentados. Como extensão desse trabalho, os textos também são publicados semanalmente no Jornal Noroeste de Nova Esperança, ampliando o alcance das produções acadêmicas e fortalecendo a formação ética, intelectual e humana dos educandos.

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Matéria por Maria Isabella Rubio - Serviço de Comunicação