A Jornada da Lagarta: uma descoberta sobre transformação e natureza

Educação

23 de Setembro de 2026
A Jornada da Lagarta: uma descoberta sobre transformação e natureza

Tudo começou durante uma vivência no Quintal da Escola Santa Teresinha do Menino Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação, quando os educandos do Integral Ensino Fundamental - Anos Iniciais encontraram uma pequena lagarta. O encontro despertou a curiosidade e deu início a uma investigação que acompanharia os educandos por diferentes espaços e experiências até a transformação daquele pequeno animal em uma borboleta.

As primeiras observações vieram acompanhadas de muitas curiosidades. Para descobrir mais sobre a lagarta, os educandos iniciaram pesquisas e descobriram que se tratava de uma lagarta do maracujá. A investigação também ajudou a identificar a planta que serviria de alimento para ela: o pé de maracujá presente na Horta da Unidade Educacional.

A partir dessa descoberta, os educandos passaram a cuidar da lagarta. Foram até a horta, colheram folhas e pequenos galhos do maracujazeiro e organizaram os cuidados necessários para acompanhá-la durante seu desenvolvimento. Assim, o processo de aprendizagem não ficou restrito às pesquisas: foi construído também por meio da observação cotidiana, da responsabilidade e do cuidado com outro ser vivo.

Com o passar dos dias, os educandos acompanharam a formação do casulo e perceberam que uma nova etapa estava começando. Enquanto aguardavam a transformação, continuaram suas pesquisas para descobrir como seria a fase adulta da lagarta, buscando compreender as características da borboleta que poderia surgir daquele casulo.

Esse período também inspirou uma proposta artística relacionada à simetria. Ao observar as características das asas das borboletas, os educandos realizaram pinturas utilizando a técnica de impressão, percebendo como formas e cores podem se organizar de maneira semelhante nos dois lados. A atividade aproximou os conhecimentos sobre a natureza da expressão artística e permitiu que a observação se transformasse em criação.

Até que chegou o momento tão esperado: a borboleta saiu do casulo. Os educandos puderam observar sua transformação e reconhecer, diante dos próprios olhos, aquilo que haviam pesquisado e acompanhado durante os dias anteriores.

A nova integrante da jornada ganhou um nome escolhido pelos próprios educandos: Tigrinho. A escolha foi inspirada na coloração e no padrão das asas da borboleta, que chamaram a atenção de todos.

Depois de acompanhar seu desenvolvimento, chegou o momento de Tigrinho retornar ao lugar onde tudo havia começado. No próprio quintal da Unidade Educacional, os educandos acompanharam sua devolução à natureza, no mesmo espaço em que a lagarta havia sido encontrada pela primeira vez. Acompanhar aquele voo significou também compreender a importância de respeitar o ciclo da vida e permitir que a borboleta seguisse seu caminho livre.

A investigação, porém, ainda reservava outras descobertas. Depois que Tigrinho deixou o casulo, os educandos levaram para o Laboratório de Ciências o casulo e a cabeça da lagarta que haviam restado do processo de transformação. Com o auxílio do microscópio, observaram detalhes que não poderiam ser percebidos a olho nu, ampliando novamente o olhar sobre aquilo que havia sido acompanhado durante toda a jornada.

Como forma de guardar a memória dessa experiência, os educandos também criaram suas próprias lagartas utilizando caixas de ovos. Cada produção ganhou características próprias, mas muitas delas receberam as cores laranja e preto, presentes nas asas de Tigrinho, como uma homenagem àquela pequena companheira de investigação que agora seguia livre pela natureza.

A Jornada da Lagarta transformou um encontro inesperado no quintal em uma experiência de aprendizagem que envolveu pesquisa, observação, cuidado, ciência, arte e respeito à natureza. Ao acompanhar cada etapa da transformação, os educandos puderam perceber que grandes descobertas podem nascer de um olhar atento para aquilo que está bem perto, até mesmo uma pequena lagarta no quintal.

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Matéria por Millena Ferreira - Educadora