Formação continuada: aprender, investigar, criar e transformar a educação
Educação
Nos dias 22 e 23 de setembro, as educadoras do Serviço de Orientação Pedagógica (SOP) da Educação Infantil e do Ensino Fundamental - Anos Iniciais do SAGRADO – Rede de Educação participaram de uma experiência de formação continuada no Kando Centro de Pesquisa, em Santana de Parnaíba/SP. Foram dois dias de estudo, diálogo, observação, investigação e vivências que reafirmaram uma convicção da Rede: a qualidade da educação passa, necessariamente, pela formação permanente dos educadores e pela construção de uma cultura de pesquisa.
Mais do que conhecer uma proposta educativa, a imersão possibilitou observar, questionar, experimentar, pesquisar e ampliar repertórios. Afinal, visitar escolas, conhecer outros contextos e aproximar-se de experiências educacionais consistentes também é uma potente forma de formação. É no encontro entre teoria e prática, entre perguntas e descobertas, que surgem novas possibilidades para qualificar os próprios percursos.
A experiência também evidenciou o valor de inventar, criar, contemplar a beleza e cultivar a meditação como dimensões fundamentais da educação. Investigar não é apenas buscar respostas: é aprender a olhar com atenção, silenciar para perceber, formular perguntas, estabelecer relações e permitir que novas ideias nasçam.
Formação continuada como compromisso com as infâncias
O SAGRADO – Rede de Educação compreende a formação continuada como parte essencial de seu compromisso com uma educação integral, humanizadora e de excelência, que reconhece cada ser humano como protagonista e colaborador na construção de uma sociedade melhor.
Formar educadores significa criar condições para que possam estudar, pesquisar, refletir sobre suas práticas, ampliar repertórios, contemplar diferentes possibilidades e tomar decisões pedagógicas cada vez mais conscientes e fundamentadas.
Em uma sociedade marcada por rápidas transformações, educar crianças para o presente e para o futuro exige muito mais do que a transmissão de conteúdos. Exige favorecer o desenvolvimento da autonomia, do espírito crítico, da criatividade, da capacidade investigativa, do trabalho em equipe, da colaboração e da resolução de problemas.
Exige também preservar o espaço da beleza, da sensibilidade, da imaginação e da meditação, compreendendo que aprender envolve o corpo, a mente, as emoções e a capacidade de se maravilhar diante do mundo.
Por isso, formar continuamente quem educa é também cuidar da aprendizagem e do desenvolvimento de cada criança.
Pedagogias participativas: a criança no centro do processo
No primeiro dia da imersão, Elaine Naldi, juntamente com as coordenadoras Fresia e Priscila, conduziu reflexões sobre as pedagogias participativas e os princípios que sustentam o projeto educativo do Kando.
Entre os temas abordados estiveram o protagonismo da criança, a escuta, a participação, a aprendizagem por investigação, a projetação, a documentação pedagógica, a organização dos ambientes e das relações, a ética, a estética, a beleza e a criação.
As experiências apresentadas evidenciaram que reconhecer a criança como protagonista não significa diminuir a responsabilidade do educador. Ao contrário: exige profissionais com conhecimento, repertório e capacidade de observar, escutar, formular boas perguntas, documentar processos, reconhecer a beleza presente nas descobertas e construir intervenções pedagógicas intencionais.
Nesse sentido, ganhou força uma ideia fundamental durante a formação: pedagogias participativas exigem repertório, rigor pedagógico, sensibilidade e disposição para investigar continuamente.
A investigação também apareceu como elemento estruturante da aprendizagem. Perguntar, levantar hipóteses, pesquisar, confrontar ideias, trabalhar coletivamente, registrar descobertas e comunicar aprendizagens são movimentos que ajudam as crianças a compreender o mundo e, ao mesmo tempo, a perceber que podem atuar sobre ele.
Investigar é também aprender a permanecer diante de uma pergunta, a observar os detalhes, a acolher o inesperado e a encontrar beleza nos processos, não apenas nos resultados.
Educadores que também são pesquisadores
Outro aspecto marcante da experiência foi a compreensão da escola como uma comunidade de aprendizagem, na qual crianças e adultos estão permanentemente aprendendo, pesquisando e criando.
Construir uma cultura investigativa entre as crianças pressupõe, antes de tudo, fortalecer uma cultura investigativa entre os próprios educadores. Isso requer estudo, acompanhamento, partilha de práticas, formação sistemática e abertura para rever caminhos.
Requer também tempo para observar, escutar, meditar e elaborar novas perguntas. A pesquisa nasce tanto do movimento quanto da pausa; tanto da ação quanto da contemplação.
A formação continuada ganha, assim, um sentido ainda mais profundo: não se trata de buscar receitas prontas, mas de construir profissionais capazes de pensar pedagogicamente, pesquisar a própria prática, exercer autoria, inventar possibilidades e transformar perguntas em caminhos de aprendizagem.
A experiência no Kando também evidenciou a importância de princípios educativos claros e consistentes. Há princípios que orientam e sustentam o projeto pedagógico, ao mesmo tempo em que existe espaço para a autoria de cada educador e de cada Comunidade Educacional.
O Ateliê como experiência, linguagem e investigação
No segundo dia, as educadoras vivenciaram experiências conduzidas pelo atelierista Guilherme Fraga.
Mais do que um espaço físico ou uma atividade específica, o Ateliê foi apresentado como um estado de presença, uma maneira de observar, investigar, criar e pensar o mundo.
As experiências envolvendo natureza, arte, corpo, desenho, botânica, recursos digitais e diferentes linguagens mostraram a potência de propostas aparentemente simples quando carregadas de intencionalidade.
No Ateliê, a pesquisa se encontra com a invenção. A matéria convida à exploração, a beleza desperta perguntas, a observação conduz à descoberta e a criação torna visível aquilo que ainda estava em processo de elaboração.
Pausar a pressa, observar, tocar, experimentar, formular perguntas, construir hipóteses e estabelecer relações são experiências essenciais para crianças e adultos.
A meditação, nesse contexto, aparece como uma forma de presença: estar inteiro diante do que se faz, perceber os detalhes, acolher o silêncio e permitir que o pensamento encontre novos caminhos.
Nesse percurso, uma expressão sintetizou parte significativa da vivência: “o Ateliê nos move como humanos”.
Uma educação que passa pelo coração
A imersão também reforçou algo profundamente conectado à missão do SAGRADO – Rede de Educação: inovação educacional não significa abandonar a essência da educação. Ao contrário, significa encontrar formas cada vez mais significativas de colocá-la em prática.
Ambientes, metodologias, pesquisas, tecnologias, diferentes linguagens, arte, beleza e processos investigativos encontram seu verdadeiro sentido quando estão a serviço da formação integral da pessoa.
A educação se fortalece quando reconhece o valor da pergunta, da invenção, da contemplação e da experiência estética. Quando permite que crianças e adultos pesquisem o mundo, criem novas possibilidades e encontrem sentido no que fazem.
Por isso, investir na formação das equipes pedagógicas é investir diretamente nas crianças. Educadores que estudam, investigam, ampliam repertórios, cultivam a sensibilidade e refletem coletivamente têm melhores condições de proporcionar experiências que favoreçam crianças curiosas, críticas, colaborativas, criativas e capazes de enfrentar problemas e buscar soluções.
O SAGRADO – Rede de Educação segue investindo na formação continuada de seus profissionais porque acredita que uma escola que aprende, pesquisa e cria é também uma escola capaz de transformar.
E, entre tantas aprendizagens desses dois dias, permanece uma certeza: a humanidade é o lugar da escola.
No SAGRADO, acreditamos em uma educação que ensina, investiga, acolhe, inventa, contempla a beleza e transforma. Uma educação integral que reconhece potencialidades, constrói conhecimentos coletivamente, valoriza os processos e, sobretudo, passa pelo coração.