SAGRADO MUN promove experiência de diplomacia e debate entre educandos em Nova Esperança/PR

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17 de Setembro de 2026
SAGRADO MUN promove experiência de diplomacia e debate entre educandos em Nova Esperança/PR

Quando pensamos em diplomacia, é comum imaginarmos edifícios imponentes, embaixadores de terno, reuniões de cúpula e grandes acordos multilaterais. Nos dias 11 e 12 de setembro, porém, os corredores e as salas do Colégio Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação, foram ocupados por jovens que tiveram a oportunidade de vivenciar, na prática, os desafios da diplomacia internacional. Durante o fim de semana, educandos da Unidade Educacional e de outras instituições participaram da 5ª edição do SAGRADO MUN, sigla para Model United Nations, uma simulação acadêmica da Organização das Nações Unidas que proporcionou aos participantes um espaço de diálogo, negociação e construção de soluções para problemas globais.

Nesta edição, os educandos puderam escolher entre diferentes comitês, definidos de acordo com o ano escolar e os temas propostos. Para os educandos do 7º ao 9º ano, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, CEPAL, colocou em discussão o desenvolvimento e a redução das desigualdades na região. No Ensino Médio, a Organização Mundial da Saúde, OMS, debateu a cura de doenças raras e a edição do DNA humano, enquanto o Conselho de Direitos Humanos, CDH, discutiu a questão: “Um país pode interferir nas decisões de outro?”. Já o NGA (United Nations General Assembly), destinado aos educandos do 9º ano e do Ensino Médio, teve como tema o reconhecimento de países, colocando em debate se Taiwan, Palestina e Kosovo devem ser reconhecidos como países independentes. Neste comitê, toda a condução aconteceu exclusivamente em Língua Inglesa: desde a atuação das mesas, que conduziram os trabalhos, até os debates, posicionamentos e busca por soluções realizados pelos delegados.

Após a inscrição, cada participante recebeu, por sorteio, uma delegação e passou a representar o posicionamento do respectivo país durante os debates. A preparação começou antes do evento, com pesquisas sobre o país representado e a elaboração do Documento de Posição Oficial, que reúne a contextualização do tema, seu histórico, o posicionamento da delegação e as propostas a serem defendidas. Assim, os educandos precisaram compreender não apenas o assunto discutido, mas também os interesses e as relações políticas do país que representavam.

A primeira sessão teve início às 13h30 e começou com a apresentação individual dos participantes, em um momento chamado de “quebra gelo”, especialmente importante para aqueles que participavam de uma simulação desse tipo pela primeira vez. Em seguida, foram realizados os discursos iniciais, nos quais cada delegação apresentou oficialmente seu posicionamento. Depois, a mesa abriu espaço para as moções, que são pedidos formais feitos pelos delegados, dando início aos debates moderados e não moderados. Ao longo das sessões, os participantes precisaram construir uma agenda, formar alianças, escolher signatários e patrocinadores para as propostas e responder a situações de crise política, social e humanitária.

O objetivo de cada comitê era chegar a um consenso entre as delegações e redigir um relatório final com as soluções construídas durante as discussões. Entretanto, alcançar um acordo entre diferentes países e interesses é uma tarefa complexa. Nesta edição, foram realizadas cinco sessões ao longo dos dois dias de evento, mas somente o comitê da OMS conseguiu chegar a um consenso e produzir o relatório final. A experiência demonstrou, em uma escala escolar, a complexidade do trabalho diplomático e os desafios envolvidos na conciliação entre os interesses dos diferentes Estados nas relações internacionais.

Nos intervalos, os educandos deixavam momentaneamente o papel de delegados e compartilhavam suas experiências, comentando as dificuldades encontradas nos debates, as divergências e convergências com outras delegações e a satisfação de conseguir defender seus posicionamentos. Muitos demonstravam expectativa pelo retorno às salas para continuar as discussões e solucionar as crises apresentadas. Nesse processo, os participantes exercitaram o pensamento crítico, a retórica, a escrita e a argumentação, além de ampliarem seus conhecimentos sobre questões geopolíticas, sociais e históricas. Mais do que reproduzir o funcionamento de uma organização internacional, a simulação colocou os educandos diante da necessidade de ouvir diferentes perspectivas, defender interesses, negociar propostas e buscar consensos.

A experiência também permite compreender que a ordem internacional não nasce pronta, mas é construída diariamente pelas escolhas, negociações e decisões de seus diferentes atores. O diplomata atua constantemente entre o mundo como ele é marcado por assimetrias de poder e interesses nacionais, e o mundo como gostaríamos que ele fosse. Nesse espaço entre realidade e possibilidade, a diplomacia utiliza as condições concretas como ponto de partida para construir soluções possíveis.

O SAGRADO MUN transforma essa complexidade em uma experiência concreta para os educandos. Durante dois dias, eles precisaram negociar, ouvir, argumentar, formar alianças e buscar soluções para problemas que ultrapassam as fronteiras de um único país, compreendendo que a diplomacia não se resume aos grandes encontros internacionais, mas também está na capacidade de dialogar diante das diferenças e construir caminhos para a convivência.

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Matéria por Mariane Rosa Emerenciano da Silva - Educadora