SAGRADO MUN transforma a Escola de Educação Básica São Domingos em espaço de diplomacia, debate e formação para a cidadania
Eventos
A Escola de Educação Básica São Domingos, Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação, em Torres, recebeu, nos dias 11 e 12 de setembro, a primeira edição do SAGRADO MUN no Rio Grande do Sul. A iniciativa transformou salas e espaços da Unidade Educacional em verdadeiros ambientes diplomáticos, reunindo educandos de diferentes Unidades Educacionais da Rede para discutir temas relacionados à geopolítica, direitos humanos, desenvolvimento econômico, meio ambiente e soberania dos Estados.
O SAGRADO MUN propõe aos jovens uma experiência prática de pesquisa, negociação, oratória, escuta e tomada de decisões. Durante as sessões, cada participante assume a representação de um país e precisa defender seus interesses, construir argumentos, responder aos questionamentos dos demais e, sobretudo, compreender que a diplomacia também se faz pela capacidade de ouvir.
Na abertura do evento, o Diretor Pedagógico da Escola de Educação Básica São Domingos, Ricardo Rocha, destacou o caráter formativo da proposta e agradeceu a participação da equipe da Central de Gestão Educacional e das demais Unidades Educacionais do Rio Grande do Sul envolvidas na iniciativa.
“O SAGRADO MUN é mais do que uma simulação da ONU. É um convite para que nossos jovens percebam que suas vozes têm força, que suas ideias têm impacto e que suas atitudes podem transformar a sociedade.”
Para Ricardo, cada debate realizado durante o encontro representa uma oportunidade de preparação para o futuro. “Aqui, cada palavra dita e cada debate travado são sementes de um futuro mais justo, solidário e humano”, afirmou.
ALÉM DA SALA DE AULA
Idealizador do projeto, o educador Pedro Renato Filipak, do Colégio Madre Clélia de Curitiba (PR), explica que a proposta nasceu depois de uma experiência com educandos em uma simulação universitária da ONU. A partir daí, surgiu a ideia de adaptar a atividade ao ambiente educacional, inicialmente como um itinerário formativo no Ensino Médio.
Depois da pandemia, em 2022, a iniciativa passou a integrar a proposta do SAGRADO – Rede de Educação e, desde então, vem crescendo e alcançando diferentes Unidades Educacionais.
“É multidisciplinar e, ao mesmo tempo, desenvolve habilidades pessoais”, explica Pedro. Segundo ele, o projeto mobiliza praticamente todos os Componentes Curriculares, especialmente Linguagens e Ciências Humanas, mas também pode envolver conhecimentos das áreas de Ciências Exatas e Biológicas, dependendo dos comitês e dos temas escolhidos.
O diferencial está justamente nas competências que dificilmente podem ser desenvolvidas integralmente em uma aula convencional. O educando precisa chegar preparado, dominar o conteúdo pesquisado, organizar o raciocínio, falar dentro de um determinado tempo, compreender o argumento apresentado por outra delegação e adaptar sua estratégia de acordo com o andamento do debate.
GEOPOLÍTICA NA PRÁTICA
Na edição realizada em Torres, os debates foram organizados em diferentes comitês, com temas adequados às faixas etárias dos participantes.
Na CEPAL, os educandos do Ensino Fundamental discutiram o desenvolvimento econômico da América Latina por meio da industrialização e de políticas capazes de reduzir desigualdades sociais e regionais. A proposta dialoga diretamente com conteúdos trabalhados em História e Geografia, abordando questões como colonialismo, imperialismo e os fatores estruturais que dificultam o desenvolvimento dos países latino-americanos.
Já no Conselho de Direitos Humanos da ONU, os educandos do Ensino Médio discutiram a legitimidade da interferência internacional em decisões judiciais soberanas dos Estados. A discussão colocou em pauta conceitos como soberania nacional e os limites da atuação de outros países diante de questões internas.
Outro grupo do Conselho de Direitos Humanos debateu liberdade religiosa e proteção de minorias religiosas em Estados teocráticos, tendo o Irã e seus precedentes internacionais como referência.
A atividade também contou com um comitê em língua inglesa, no qual educandos do 9º ano ao Ensino Médio participaram da simulação da Assembleia Geral das Nações Unidas. O debate abordou o reconhecimento internacional de Estados e governos a partir dos casos de Taiwan, Palestina e Kosovo.
São temas complexos, mas que, na dinâmica do MUN, deixam de ser apenas conteúdos estudados em livros e passam a exigir posicionamento, estratégia e capacidade de negociação.
CONHECIMENTO GANHA VOZ
Para os educandos, a experiência também representa um exercício de autoconhecimento.
Antônio Costa Caldeira, da 3ª série da Escola de Educação Básica São Domingos, de Torres, participou pela primeira vez e descreveu a experiência como desafiadora e, ao mesmo tempo, divertida. Interessado em política e em temas relacionados a acordos e tratados, ele buscou no MUN uma oportunidade para desenvolver a comunicação.
A insegurança diante dos primeiros debates, segundo ele, faz parte do processo. Com as sessões, surge também a percepção de que argumentar não significa apenas falar bem, mas estar preparado para responder ao que o outro apresenta.
Essa mesma descoberta apareceu na experiência de Kémili Barbaresco Basso, educanda do 8º ano do Colégio Mater Amabilis, de Nova Araçá (RS). Em sua primeira participação, ela decidiu se inscrever pensando no próprio desenvolvimento e nas habilidades que poderá utilizar tanto na futura profissão quanto na vida pessoal.
Interessada em Direito, Kémili percebeu no MUN uma oportunidade para exercitar a capacidade de argumentação e, principalmente, aprender a considerar diferentes opiniões. Entre os desafios encontrados, citou o receio de não saber responder aos questionamentos feitos por outras delegações.
Para Mariana Meireles Cembranel, da 3ª série do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Bento Gonçalves (RS), participar de uma simulação da ONU era um desejo antigo. Interessada em Relações Internacionais, ela viu no SAGRADO MUN uma oportunidade para testar, na prática, uma possibilidade profissional.
A educanda participou do comitê em língua inglesa, acrescentando outro desafio à experiência, o de utilizar o idioma em uma situação real de argumentação e negociação.
O contato com educandos de outras cidades também aparece como um dos grandes diferenciais do encontro. Filippo Rogério Rinaldi, da 1ª série do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Garibaldi (RS), destacou justamente a possibilidade de conhecer pessoas com histórias, personalidades e opiniões diferentes.
Para ele, o MUN contribui para desenvolver a comunicação e a capacidade de formular respostas coerentes diante de diferentes pontos de vista.
RECONHECIMENTO
O SAGRADO MUN também prevê premiações para diferentes aspectos da participação. Entre elas estão o reconhecimento ao melhor Documento de Posição Oficial, às melhores delegações, incluindo categorias para delegações novas, e aos melhores oradores.
A proposta amplia, assim, o conceito de desempenho. O reconhecimento não está restrito a quem fala mais ou apresenta o argumento mais contundente, mas também contempla a qualidade da pesquisa, a preparação e a capacidade de representar adequadamente uma posição.
Na primeira edição do SAGRADO MUN no Rio Grande do Sul, a Escola de Educação Básica São Domingos tornou-se, por dois dias, uma pequena representação do mundo. E, entre discursos, documentos, negociações e contrapropostas, os educandos descobriram que diplomacia não é apenas uma questão de falar. É também aprender a ouvir, compreender o outro e buscar caminhos possíveis para transformar ideias em decisões.
Ao final das atividades, foram anunciadas as delegações e os educandos que se destacaram nas diferentes categorias dos comitês.
PREMIAÇÕES COMITÊ
- Melhor DPO: República da Guatemala
Delegada: Ritiele Chaves - Menção Honrosa DPO: Estados Unidos Mexicanos
Delegadas: Kémili Bavaresco Basso e Isabele Gado Artico - Melhor Delegação: Estados Unidos da América
Delegadas: Isabeli Rigoni Koakoski e Bianca de Santi Battirola - Melhor Orador: República da Colômbia
Delegado: Gustavo Gatto - Delegado Destaque 1: República da Colômbia
Delegado: Gustavo Gatto - Delegado Destaque 2: República Bolivariana da Venezuela
Delegada: Helena Metz Leme - Menção Honrosa 1: República da Costa Rica
Delegado: Augusto Polly - Menção Honrosa 2: República de Cuba
Delegada: Walentine da Silva dos Santos
COMITÊ DE DIREITOS HUMANOS (CDH)
- Melhor DPO: República Francesa
Delegada: Luiza Rasinoski Trevizan - Menção Honrosa DPO: Estados Unidos da América
Delegado: Arthur Lorenzet Pagoraro - Melhor Delegação: Japão
Delegadas: Isabel Borges e Sofia Leffa - Melhor Orador: República da Indonésia
Delegada: Maria Júlia de Matos Pereira - Delegado Destaque 1: República Popular da China
Delegado: Pedro Paiva - Delegado Destaque 2: República Federal da Nigéria
Delegada: Laura Santos - Menção Honrosa 1: República da Indonésia
Delegada: Maria Júlia de Matos Pereira - Menção Honrosa 2: República Federativa do Brasil
Delegadas: Yasmin Basso e Daniel - Menção Honrosa 3:
Delegada: Bárbara de Araújo
COMITÊ UNGA
- Melhor Position Paper: Japão
Delegada: Cristina Maria Giusti Premaor - Menção Honrosa – Position Paper: Reino da Espanha
Delegadas: Sofia Gomes, Valentina Fidelis Gabiatti - Melhor Delegação: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Delegada: Clara Tedesco e Silva - Melhor Oradora: República da Sérvia
Delegada: Isadora Agostini Dolifini - Delegada Destaque 1: Estados Unidos da América
Delegada: Bianca da Conceição Marques - Delegada Destaque 2: República da Sérvia
Delegada: Mariana Meireles Cembranel - Menção Honrosa 1: República Federativa do Brasil
Delegado: Victor Feliciano - Menção Honrosa 2: República Federativa do Brasil
Delegada: Isadora Porto Raimundo - Menção Honrosa 3:
Delegado: Miguel Rizzo