Educadores participam de palestra que aprofunda reflexões da Campanha da Fraternidade 2026
Pastoral Escolar

Na manhã desta segunda-feira, 26/01, educadores do Colégio Social Madre Clélia, Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação, participaram de uma palestra que marcou o início das reflexões da Campanha da Fraternidade 2026, cujo tema convida à vivência da fraternidade a partir da moradia, compreendida não apenas como espaço físico, mas como lugar de vínculo, presença, cuidado e responsabilidade.
A palestra foi conduzida pelo Professor Dr. Rodrigo Andrade, da PUCPR e responsável pela formação da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Curitiba. Em sua exposição, o palestrante provocou os educadores a refletirem sobre a diferença entre morar e habitar, destacando que todo habitar descende de um morar, mas nem todo morar se transforma, de fato, em habitar.
A partir das Sagradas Escrituras, o professor explicou que, na tradição bíblica, habitar não significa apenas ocupar um espaço. No Antigo Testamento, a presença de Deus que habita junto ao seu povo expressa comunhão, proximidade e cuidado. Já no Novo Testamento, o Evangelho de João afirma que o Verbo “armou sua tenda entre nós”, reforçando a imagem de um Deus que escolhe morar com a humanidade, fazendo-se próximo, solidário e presente na vida cotidiana.
A reflexão avançou para o cotidiano, ressaltando que morar está ligado à ocupação de um espaço, enquanto habitar implica criar relações, pertencimento e compromisso. Habitar é transformar o espaço em lugar de vida, onde as pessoas se reconhecem, constroem vínculos e partilham responsabilidades.
Durante o encontro, o educador Eliandro, do SOE, também contribuiu com a reflexão ao destacar que compreender o sentido de habitar exige reconhecer a humanidade presente em cada pessoa. Em sua fala, ressaltou a importância de sentir-se presente, reconhecer o outro e perceber como Deus age nas relações humanas, reforçando que o cuidado com as pessoas e a convivência fortalecem a missão educativa.
A palestra trouxe ainda uma leitura social e crítica da realidade. A educadora Edilene, do SOP, destacou que as políticas relacionadas à moradia muitas vezes são pensadas de forma fragmentada, sem considerar a integração entre fatores essenciais para uma vida digna. Segundo ela, o crescimento no número de moradias nem sempre é acompanhado pelo acesso ao saneamento básico, à alimentação adequada e à saúde, evidenciando desigualdades que impactam diretamente a dignidade humana.
Em sua reflexão, chamou atenção para o fato de que há mais pessoas com acesso à internet do que ao saneamento básico, revelando uma lógica desconectada das necessidades fundamentais da vida. Edilene ressaltou que não é possível falar em moradia digna sem considerar esses elementos de forma integrada, pois a ausência de saneamento expõe as pessoas a doenças e situações de vulnerabilidade que não são resolvidas apenas pelo acesso à informação ou à tecnologia.
A educadora Claudineia, de Língua Portuguesa, ampliou a reflexão ao relacionar moradia, infância e saúde integral. Em sua fala, destacou que experiências vividas na infância, como segurança, cuidado, saúde mental e espiritualidade, são fundamentais para a formação de adultos mais saudáveis. Segundo ela, a ausência de uma moradia digna pode gerar marcas profundas que se refletem ao longo da vida adulta, em dificuldades emocionais, relacionais e sociais.
Além das reflexões e partilhas, o palestrante apresentou os subsídios que irão orientar o trabalho com os educandos ao longo da Campanha da Fraternidade 2026, oferecendo caminhos pedagógicos e pastorais para a vivência do tema no cotidiano escolar. O encontro também contou com a exibição do vídeo da música oficial da Campanha, que reforçou, de forma poética e sensível, o chamado ao cuidado com aqueles que vivem sem abrigo, sem direitos e sem dignidade.
O hino recorda que Deus escolhe fazer morada junto aos pobres e sofredores, transformando dor em bondade e chamando cada pessoa à corresponsabilidade. Sua mensagem evidencia que a fé não se limita ao espaço do altar, mas se traduz em compromisso concreto com a justiça, com o acolhimento e com a construção de lares marcados pelo amor. Quando o cuidado se torna atitude e a fraternidade se faz ação, cada casa pode se tornar testemunho vivo do Evangelho.
Ao final da palestra, o Professor Dr. Rodrigo Andrade destacou a importância da Semana Pedagógica como espaço privilegiado para refletir sobre aquilo que será desenvolvido ao longo do ano, incorporando temas que a Igreja do Brasil propõe como caminhos de formação e compromisso social. Segundo ele, o tema da Campanha da Fraternidade é transversal e dialoga com todas as áreas do conhecimento, colaborando diretamente para a meta do desenvolvimento integral dos educandos.
O palestrante também ressaltou a riqueza do diálogo com os educadores, reconhecendo que as experiências vividas em Sala de Aula e na vida pessoal enriquecem a reflexão e fortalecem a vivência da Campanha não apenas no ambiente escolar, mas também nas comunidades e paróquias. Ao agradecer o convite, expressou o desejo de que a temática da Campanha da Fraternidade esteja efetivamente inserida nos currículos ao longo do ano.
A palestra inaugurou um importante caminho de aprofundamento para a vivência da Campanha da Fraternidade 2026, fortalecendo o compromisso do SAGRADO – Rede de Educação com a construção de espaços educativos marcados pela fraternidade, pela esperança e pelo cuidado com a vida em todas as suas dimensões.

















