SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Giovana Ayumi Maruiti e Maiza Barros de Brito, educandas da 2ª série 2, sobre amor, orgulho e convenções sociais em “Diva”

Educação

21 de Agosto de 2026
SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Giovana Ayumi Maruiti e Maiza Barros de Brito, educandas da 2ª série 2, sobre amor, orgulho e convenções sociais em “Diva”

A literatura tem o poder de ampliar o olhar sobre temas humanos e sociais, promovendo reflexões que ultrapassam as páginas dos livros. No Projeto SAGRADO Acadêmico, os educandos analisam obras literárias sob diferentes perspectivas, articulando conhecimentos de diversas áreas e desenvolvendo o pensamento crítico por meio da produção de artigos de opinião.

Nesta edição, as educandas da 2ª série 2, Giovana Ayumi Maruiti e Maiza Barros de Brito, apresentam uma reflexão sobre o romance “Diva”, de José de Alencar. O artigo discute o amor, o orgulho, a aparência, a vaidade e as convenções sociais, relacionando a trajetória das personagens Emília Duarte e Augusto Amaral às diferentes dimensões do amor e aos conflitos presentes nas relações humanas.

A análise também estabelece relações entre a obra literária e questões presentes na sociedade contemporânea, refletindo sobre como os padrões sociais, a posição social e as expectativas impostas às mulheres podem interferir nas relações afetivas e nas escolhas individuais.

Confira, na íntegra, o artigo produzido pelas educandas:


O preço do amar e orgulho

“Eram as notas da celeste harmonia que seu coração vibrava como um rouxinol canta na primavera e as harpas ressoam ao sopro de Deus.”

- José de Alencar

Giovana Ayumi Maruiti
Maiza Barros de Brito

Dados do IBGE (2024) mostram que, em 2022, foram registrados 970 mil casamentos e 420 mil divórcios no Brasil, correspondendo a aproximadamente um divórcio para cada 2,3 casamentos. Esses números evidenciam que muitos relacionamentos enfrentam dificuldades para lidar com os desafios que surgem após o período inicial do relacionamento. Sob a perspectiva da filosofia, o amor pode se manifestar por meio de Eros, Philia e Ágape — dimensões consolidadas no pensamento grego (Platão, 2012). Quando uma relação permanece sustentada apenas pelo desejo, torna-se mais vulnerável aos conflitos do dia a dia. Essa distinção entre o amor aparente e o verdadeiro também é tema de Diva, de José de Alencar, obra que analisa como orgulho, aparência e convenções sociais interferem na construção do amor verdadeiro.

Publicado em 1864, o romance urbano Diva integra um conjunto de obras e evidencia o interesse do autor, José de Alencar, pela análise psicológica das personagens e pelas relações entre sentimento, orgulho e posição social. A obra apresenta características próprias do movimento Romantismo, como a valorização dos sentimentos, da subjetividade e da idealização amorosa. Por outro lado, Alencar utiliza esses elementos para questionar as convenções sociais e mostrar que o amor verdadeiro exige amadurecimento e a superação do orgulho.

No romance, Emília Duarte e Augusto Amaral são personagens centrais, pois apresentam profundidade psicológica e evoluem ao longo da narrativa. Os conflitos giram em torno de orgulho, amor, aparência e posição social. Emília, rica e da alta sociedade, crê controlar seus relacionamentos e usa sua posição como poder, colocando Augusto à prova por orgulho e receio de se revelar. Augusto preserva sua dignidade e não se deixa conquistar apenas pelo prestígio dela. O conflito mostra como dinheiro, aparência e status moldam as relações; além disso, a obra problematiza papéis de gênero ao apresentar uma protagonista que desafia as expectativas impostas às mulheres do século XIX.

Sob a perspectiva das dimensões do amor, a relação inicia-se marcada por Eros — o desejo e a paixão intensa, alimentada também pela admiração externa e pelo prestígio social. À medida que superam orgulho e vaidade, o vínculo evolui para Philia: o respeito mútuo, a confiança e a amizade que se consolidam entre os dois. A relação atinge sua plenitude quando transcende o interesse e a aparência, aproximando-se de Ágape — o amor que se doa incondicionalmente, sem exigências ou condições. Emília transforma seu orgulho e sua vaidade à medida que reconhece seus sentimentos, enquanto Augusto demonstra maturidade, equilíbrio e firmeza diante dos conflitos amorosos.

Por meio dos elementos narrativos — o conflito entre amor e interesse, a caracterização de Emília e Augusto e o retrato da sociedade burguesa do século XIX —, o autor critica os valores baseados na aparência e o casamento por conveniência. A obra revela, assim, que os sentimentos verdadeiros e o amadurecimento superam orgulho, vaidade e as convenções sociais.

Em Literatura e Sociedade, Antonio Candido (2006) afirma que a literatura reflete e questiona a realidade de sua época. Em Diva, Alencar expõe a pressão sobre a mulher e a exigência de submeter-se às expectativas sociais. Tal reflexão permanece atual: ainda hoje, mulheres são julgadas por não corresponderem ao que se espera delas. Assim, Diva continua pertinente ao denunciar limites impostos à liberdade e à identidade feminina.

Por fim, Diva evidencia como José de Alencar utiliza o romance para criticar os valores da sociedade burguesa do século XIX, especialmente a influência da aparência, do orgulho e do interesse nas relações afetivas. Ao construir personagens complexas e conflitos marcados pelas convenções sociais, o autor demonstra que o amadurecimento pessoal e os sentimentos verdadeiros podem superar a vaidade e os preconceitos impostos pela sociedade. Dessa forma, a obra se mantém pertinente ao mostrar que o conflito entre orgulho e afeto permanece presente nas relações humanas, convidando o leitor a refletir sobre como os padrões sociais moldam as escolhas individuais.


A reflexão apresentada pelas educandas evidencia como a literatura de José de Alencar transcende a narrativa romântica ao provocar discussões acerca do amor, do orgulho, da aparência e das convenções sociais. Ao analisarem a trajetória de Emília Duarte e Augusto Amaral, as educandas constroem uma leitura crítica sobre os conflitos que envolvem as relações afetivas e sobre o processo de amadurecimento necessário para superar a vaidade e as expectativas impostas pela sociedade.

O artigo demonstra maturidade analítica ao relacionar a obra literária às dimensões filosóficas do amor, articulando referências de diferentes áreas do conhecimento para compreender a construção dos vínculos afetivos e os papéis sociais presentes na narrativa. Ao aproximar a obra de questões humanas que permanecem atuais, as educandas revelam capacidade de interpretação, sensibilidade e pensamento crítico diante de uma temática presente em diferentes contextos e períodos históricos. O Projeto SAGRADO Acadêmico reafirma, assim, o protagonismo dos educandos na produção de reflexões consistentes e socialmente significativas, valorizando a pesquisa, a análise e a construção de argumentos fundamentados. Como extensão desse trabalho, os textos também são publicados semanalmente no Jornal Noroeste de Nova Esperança, ampliando o alcance das produções acadêmicas e fortalecendo a formação ética, intelectual e humana dos educandos.

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Matéria por Maria Isabella Rubio - Serviço de Comunicação