SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Joana Simões Souza, educanda da 3ª série 2, sobre a Guerra do Contestado

Educação

02 de Outubro de 2026
SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Joana Simões Souza, educanda da 3ª série 2, sobre a Guerra do Contestado

Por meio da pesquisa e da análise histórica, é possível compreender os diferentes processos que contribuíram para a formação da sociedade e refletir sobre conflitos, desigualdades e movimentos de resistência que marcaram diferentes períodos. No Projeto SAGRADO Acadêmico, os educandos são convidados a aprofundar seus conhecimentos sobre temas relevantes, relacionando acontecimentos históricos às transformações sociais e desenvolvendo o pensamento crítico por meio da produção de artigos.

Nesta edição, a educanda da 3ª série 2, Joana Simões Souza, aborda a Guerra do Contestado, conflito ocorrido na região Sul do Brasil entre 1912 e 1916. Em seu artigo, a educanda analisa as diferentes dimensões do movimento, destacando as disputas territoriais entre Paraná e Santa Catarina, os conflitos pela posse da terra, as transformações econômicas provocadas pela construção da ferrovia e a exclusão das populações sertanejas.

A produção ganha relevância em 2026, ano em que se completam 110 anos do fim do conflito e da assinatura do Acordo de Limites Paraná–Santa Catarina, em 20 de outubro de 1916. A partir desse marco histórico, Joana amplia a discussão para compreender o Contestado para além da questão territorial, evidenciando as desigualdades sociais e as formas de resistência das populações que viviam na região.

Confira, na íntegra, o artigo produzido pela educanda:


GUERRA DO CONTESTADO: UM MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA SOCIAL NO SUL DO BRASIL

Joana Simões Souza

Em 2026, completam-se 110 anos do fim da Guerra do Contestado, conflito cujo desfecho foi decisivo para a definição da configuração e da extensão atuais da fronteira sul do território paranaense. Os limites entre Paraná e Santa Catarina foram estabelecidos diretamente a partir do Acordo de Limites Paraná–Santa Catarina, assinado em 20 de outubro de 1916. Mais do que recordar uma disputa territorial, a data permite retomar a história das populações sertanejas que resistiram às transformações sociais, econômicas e políticas impostas à região.

Entretanto, a definição das fronteiras foi apenas um dos desdobramentos de um conflito muito mais amplo. Inicialmente, foi concedido pelas autoridades o direito de construir uma ferrovia que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul para o norte-americano Percival Farquhar, paga em terras. Apesar de gerar empregos na produção da linha férrea, o que já expulsou sertanejos que viviam na região, após a finalização da construção essas pessoas foram abandonadas sem opção de volta para suas casas.

Nesse cenário de profundas transformações, a insatisfação da população sertaneja ganhou força. Como aponta Rogério Rosa Rodrigues (2008; 2026), a denominação “Contestado” não faz jus à complexidade do movimento que eclodiu em 1912, pois a disputa pelos limites territoriais entre Paraná e Santa Catarina constituiu apenas um dos elementos do conflito. Embora a questão territorial tenha sido importante, ela não explica, por si só, a magnitude da mobilização. As profundas desigualdades sociais, os conflitos pela posse da terra, a expansão das companhias ferroviárias e madeireiras e a exclusão das populações sertanejas constituíram fatores centrais para a eclosão e a permanência da guerra. É nesse contexto que a Guerra do Contestado deve ser compreendida, sobretudo, como uma expressão das tensões sociais e da resistência das populações do interior diante das transformações econômicas e políticas que marcaram o início do século XX.

Foi justamente nesse contexto de exclusão e resistência que surgiram as principais lideranças do movimento.

Entre essas lideranças, destacou-se a figura do monge José Maria. José Maria foi um curandeiro e rezador conhecido como monge, cuja liderança reuniu milhares de sertanejos durante a Guerra do Contestado. Ao oferecer benzeduras, conselhos e auxílio aos necessitados, tornou-se símbolo de esperança para a população excluída. Após sua morte no Combate de Irani, em 1912, seus seguidores acreditavam em seu retorno, fortalecendo o caráter messiânico e a resistência do movimento.

A resistência surpreendeu e desencadeou o uso de uma ampla força militar para dar fim ao conflito. A repressão atingiu os redutos sertanejos e provocou a morte de combatentes e civis, incluindo mulheres, crianças e idosos. O desfecho político aconteceu em outubro de 1916, com a assinatura do acordo que definia as fronteiras entre o Paraná e Santa Catarina. O fim oficial do conflito, entretanto, não apagou as consequências sociais da guerra para as populações da região.

Por isso, a memória da Guerra do Contestado permanece relevante para a compreensão das desigualdades sociais e dos processos históricos que marcaram a formação da região. Nesse sentido, os 110 anos do conflito, completados em 2026, constituem uma oportunidade para refletir sobre as múltiplas dimensões desse episódio, evidenciando que a história também é construída pelas experiências e pelas formas de resistência das populações marginalizadas. Revisitar o Contestado, portanto, é também reconhecer que a formação do Sul do Brasil foi marcada por disputas de terra, interesses econômicos e pela resistência de grupos que muitas vezes permaneceram à margem das narrativas oficiais.


 

A produção de Joana Simões Souza evidencia a importância da pesquisa histórica para compreender acontecimentos que ultrapassam os limites de seu próprio tempo. Ao analisar a Guerra do Contestado para além da disputa territorial, a educanda aborda questões relacionadas à desigualdade social, à posse da terra, às transformações econômicas e à resistência das populações sertanejas.

O trabalho integra as produções do Projeto SAGRADO Acadêmico, que valoriza a pesquisa, a análise e a construção de argumentos fundamentados, fortalecendo o protagonismo dos educandos na produção de conhecimento e na reflexão sobre questões históricas e sociais. Como extensão desse trabalho, os textos são publicados semanalmente no Jornal Noroeste de Nova Esperança, ampliando o alcance das produções acadêmicas e contribuindo para a formação ética, intelectual e humana dos educandos.

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Matéria por Maria Isabella Rubio - Serviço de Comunicação