SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Maria Heloísa Kobayashi de Oliveira, educanda da 3ª série 1, sobre os desafios emocionais no último ano do Ensino Médio

Educação

10 de Julho de 2026
SAGRADO Acadêmico apresenta artigo de Maria Heloísa Kobayashi de Oliveira, educanda da 3ª série 1, sobre os desafios emocionais no último ano do Ensino Médio

O Projeto SAGRADO Acadêmico segue valorizando a produção intelectual dos educandos e incentivando reflexões sobre temas presentes na sociedade contemporânea. Nesta edição, a educanda Maria Heloísa Kobayashi de Oliveira, da 3ª série 1, apresenta um artigo que investiga os desafios enfrentados pelos educandos no último ano do Ensino Médio, período marcado por decisões importantes, expectativas em relação ao futuro e diferentes formas de pressão acadêmica e emocional.

A partir de uma pesquisa realizada com os educandos das 3ªs séries do Colégio Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação, a educanda analisa as percepções dos participantes sobre a rotina de estudos, a preparação para o ENEM e vestibulares, a escolha profissional e os impactos dessas cobranças no bem-estar emocional. O artigo também estabelece diálogos com autores e obras que contribuem para compreender as experiências da juventude diante das expectativas sociais e pessoais.

Confira, na íntegra, o artigo produzido pela educanda:


Entre a pressão e o futuro: os desafios dos estudantes no último ano escolar

Maria Heloísa Kobayashi de Oliveira

O último ano do Ensino Médio é considerado uma das fases mais marcantes e complexas da trajetória estudantil. É nesse período que os jovens precisam conciliar diversas cobranças emocionais e acadêmicas, tentando equilibrar as exigências do presente com as decisões que envolvem o futuro.

Essa reta final costuma vir acompanhada de intensa pressão. Em uma pesquisa realizada com as turmas da 3ª série do Colégio Coração de Jesus, foi possível perceber que muitos educandos se sentem sobrecarregados diante da rotina de avaliações, simulados e preparação para o ENEM e os vestibulares, ao mesmo tempo em que precisam definir qual caminho profissional seguir.

A pesquisa foi feita por meio de questionário on-line, com participação voluntária e respostas anônimas, garantindo a privacidade dos participantes e proporcionando liberdade para expressarem suas opiniões, sentimentos e experiências sobre a pressão vivenciada nessa etapa.

Os resultados revelaram que aproximadamente 80% dos estudantes afirmaram sentir pressão relacionada aos estudos, aos vestibulares e à escolha profissional. Entre os fatores mais citados, destacam-se a autocobrança, o medo de errar na escolha da profissão, a incerteza em relação ao futuro e a dificuldade de conciliar os estudos com momentos de lazer e descanso. Exemplo disso é o depoimento de um participante: “Hoje em dia você não pode ter dúvidas, eles esquecem que só temos 17 anos. É tudo sobre escola, não nos deixam viver e experimentar as coisas, isso me pressiona.”

A pesquisa também mostrou que cerca de 80% dos estudantes relataram que essa pressão interfere diretamente na autoestima e na forma como enxergam suas próprias capacidades. Muitos participantes também afirmaram que a orientação profissional, o apoio psicológico e o incentivo da família e da escola são fundamentais para enfrentar esse período com mais segurança e equilíbrio.

Essa fase carrega um peso significativo, pois a sociedade frequentemente a trata como um momento decisivo para o sucesso. Há expectativas vindas das famílias, da escola e dos próprios estudantes, o que pode gerar a sensação de que notas e escolhas atuais determinarão toda a vida adulta.

Ao analisar as causas desse desgaste emocional, destacam-se a autocobrança por bons resultados, a comparação constante entre colegas e, principalmente, o medo de fracassar ou de não corresponder às expectativas das pessoas ao redor. Nesse contexto, o livro Geração ansiosa[1], do psicólogo Jonathan Haidt, contribui para a compreensão do problema ao discutir como a crescente pressão por desempenho e reconhecimento tem impactado a saúde mental dos jovens.

As consequências desse cenário aparecem de diversas formas no dia a dia escolar: muitos estudantes relatam cansaço excessivo, insegurança quanto ao próprio desempenho, dificuldades de concentração e preocupação constante com o futuro. Em alguns casos, esses sentimentos podem afetar tanto o aprendizado quanto o bem-estar emocional.

Esse conflito entre crescimento, expectativas e inseguranças também está presente na literatura. Obras como As vantagens de ser invisível[2] e O apanhador no campo de centeio[3] retratam jovens enfrentando dúvidas, crises pessoais e sentimentos de isolamento. Embora escritas em épocas diferentes, ambas demonstram que os desafios emocionais da juventude acompanham várias gerações.

De acordo com a psicóloga Giovanna Lettícia da Silva Mazuca (CRP 08/44831)[4], a pressão vivenciada pelos estudantes no último ano do Ensino Médio é compreensível diante das inúmeras escolhas e expectativas desse período. Segundo a profissional, é comum surgirem sintomas como ansiedade, insegurança, dificuldade de concentração, alterações no sono, cansaço e medo de fracassar. Ela destaca que o apoio da família e da escola, aliado à orientação profissional, à prática de atividades de lazer e ao acompanhamento psicológico quando necessário, é essencial para que o adolescente enfrente essa fase de forma mais saudável. Além disso, ressalta que o desempenho escolar não define o valor do estudante nem determina todo o seu futuro.

Para tornar essa etapa mais saudável, é importante que escola, família e estudantes atuem em conjunto. A presença de apoio psicológico, a organização equilibrada dos cronogramas de atividades e o incentivo ao diálogo ajudam a reduzir a sobrecarga, assim como reservar momentos para lazer, descanso e convivência social — essencial para manter o equilíbrio entre a vida acadêmica e a saúde mental.

Em síntese, o rendimento escolar e as aprovações são importantes, mas não devem comprometer a saúde emocional dos estudantes. Cada jovem enfrenta os desafios dessa fase de maneira particular. Por trás de cada resultado, existem pessoas reais, carregando sentimentos, expectativas, medos e fragilidades que muitas vezes não aparecem em números ou estatísticas. Além de obter êxito acadêmico, é fundamental que os estudantes recebam o apoio necessário para compreender que o aprendizado é um processo e que o futuro pode ser construído com dedicação, equilíbrio e respeito ao próprio tempo.


A reflexão apresentada pela educanda evidencia a importância de compreender o último ano do Ensino Médio para além dos resultados acadêmicos, considerando também os aspectos emocionais, sociais e pessoais que fazem parte dessa etapa da trajetória estudantil. Ao unir dados de pesquisa, referências teóricas e relatos dos próprios educandos, o artigo promove uma análise sobre as diferentes formas de pressão vivenciadas pelos jovens e sobre a necessidade de construir espaços de diálogo e acolhimento.

A produção demonstra capacidade investigativa ao relacionar experiências reais dos educandos a discussões sobre saúde emocional, expectativas de futuro e desenvolvimento pessoal, reforçando a importância do equilíbrio entre dedicação acadêmica e bem-estar. O Projeto SAGRADO Acadêmico reafirma, assim, seu compromisso com a formação integral dos educandos, incentivando a pesquisa, a argumentação e a construção de conhecimentos que dialogam com desafios presentes na sociedade. Como extensão desse trabalho, os artigos também são publicados semanalmente no Jornal Noroeste de Nova Esperança, ampliando a visibilidade das produções acadêmicas e valorizando o protagonismo intelectual dos educandos.

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Matéria por Maria Isabella Rubio - Serviço de Comunicação