Tecnologia e Inteligência Artificial mobilizam reflexão com as famílias sobre os desafios educacionais de 2026
Educação

Nos dias 11 e 12 de fevereiro, o Colégio Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação, promoveu a palestra de abertura do Ano Letivo destinada aos Pais e/ou Responsáveis Legais dos educandos do Ensino Fundamental - Anos Finais e do Ensino Médio. O encontro foi conduzido pelas educadoras Lilian Vieira e Mariane Rosa Emerenciano.
Com o tema “Tecnologia e Inteligência Artificial: ponte ou abismos entre gerações?”, a proposta foi refletir sobre os impactos da Inteligência Artificial nas formas de aprender, nas relações familiares e no contexto educacional contemporâneo. A palestra contextualizou o avanço tecnológico a partir de marcos históricos, como as Revoluções Industriais, situando o século XXI como o tempo da IA, do Big Data e da automação inteligente.
Ao abordar os chamados “abismos geracionais”, as educadoras ressaltaram que o conflito não se estabelece entre jovens e adultos, mas entre o uso acrítico e o uso consciente das tecnologias. Com base em Pimentel e Carvalho 2023, destacou-se que aceitar conteúdos produzidos por IA sem escrutínio reflexivo pode favorecer a desinformação e comprometer o desenvolvimento do pensamento crítico.
Foram apresentados conceitos como IA preditiva e IA generativa, além de seus limites estruturais. Conforme discutido no encontro, a IA opera por padrões estatísticos e não possui consciência, experiência ou intencionalidade humana. Nesse sentido, como também apontam Pimentel e Carvalho 2023, as IAs são inteligentes de modo distinto do ser humano, pois não têm corpo, vivência nem consciência.
A reflexão ampliou-se ao considerar que a tecnologia não é neutra. A partir das contribuições de Manuel Castells sobre a sociedade em rede e das análises de Zygmunt Bauman acerca da modernidade líquida, discutiu-se como a aceleração da informação, a volatilidade das relações e a reorganização das dinâmicas sociais impactam diferentes gerações.
Outro ponto enfatizado foi o capital cultural, conceito associado a Pierre Bourdieu, entendido como o conjunto de conhecimentos, hábitos, linguagens e repertórios construídos na família e na instituição educacional. Destacou-se que educandos com maior capital cultural tendem a formular perguntas mais qualificadas, questionar as respostas geradas pela IA e utilizar a tecnologia como ferramenta de aprofundamento. Já aqueles com menor repertório podem recorrer à cópia automática de respostas, sem análise ou interpretação.
O papel da instituição educacional também foi abordado a partir das orientações do Centro de Inovação para a Educação Brasileira CIEB 2024, que aponta a necessidade de integrar a IA à educação com ética, pensamento crítico e compreensão de seus limites. À luz das contribuições de Jean Piaget e Lev Vigotski, discutiu-se ainda como aprendizagem, mediação e memória se relacionam em um contexto marcado pela aceleração digital.
Realizada na Unidade Educacional, a palestra reuniu expressivo número de Pais e/ou Responsáveis Legais e marcou o início do calendário escolar com um chamado firme à corresponsabilidade entre família e instituição. O encontro reafirmou o compromisso com uma educação digital ética, crítica e mediada, evidenciando que o uso consciente da tecnologia depende de orientação, diálogo e presença ativa dos adultos. Assim, 2026 se consolida como um ano de aprofundamento dessa proposta, em que tecnologia e humanização caminham de forma integrada, com foco na formação integral e no desenvolvimento crítico dos educandos.







