Educanda da 3ª série se destaca na produção de resenha crítica sobre "Vidas Secas"

Educação

15 de Julho de 2026
Educanda da 3ª série se destaca na produção de resenha crítica sobre "Vidas Secas"

No contexto das atividades de leitura e produção textual desenvolvidas na 3ª série do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação em Garibaldi/RS, os educandos foram desafiados a elaborar uma resenha crítica sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, um dos mais importantes representantes da segunda fase do Modernismo brasileiro.

A proposta teve como objetivo aprofundar a compreensão da obra e estimular a construção de um posicionamento crítico fundamentado em argumentos e exemplos retirados do próprio romance. Na atividade, os educandos deveriam apresentar a obra, contextualizar os personagens e desenvolver uma das abordagens sugeridas, entre elas o ciclo da seca e a desumanização dos personagens, a exploração do trabalhador, a linguagem como reflexo da exclusão ou o contraste entre a animalização dos seres humanos e a humanização da cadela Baleia.

A partir dessa produção, os educandos puderam refletir sobre temas de grande relevância social, como a desigualdade, a exclusão educacional, o abuso de poder e a precarização da vida no sertão nordestino. Além disso, o exercício possibilitou o aprimoramento das competências de leitura, interpretação e escrita argumentativa, fundamentais para a formação acadêmica e cidadã.

Entre os trabalhos desenvolvidos, destacou-se a resenha crítica da educanda Letícia Pasini, que demonstrou excelente domínio da estrutura proposta, clareza na defesa de seu ponto de vista e sensibilidade na análise da obra. Com uma escrita consistente e bem fundamentada, Letícia evidenciou maturidade intelectual e grande capacidade de articular literatura e realidade social.

Confira, a seguir, a resenha produzida pela educanda.


Resenha Crítica – Vidas Secas

A obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, retrata a dura realidade dos retirantes nordestinos, que vivem em constante fuga da seca e da miséria. Publicado em 1938, o romance apresenta a trajetória de Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Baleia, personagens que enfrentam a fome, a exploração e a ausência de perspectivas em um ambiente hostil.

Um dos aspectos mais marcantes da narrativa é a forma como a seca provoca a desumanização dos personagens. Ao longo da obra, a família é obrigada a abandonar repetidamente o lugar onde vive, reiniciando sempre o mesmo ciclo de sofrimento. A falta de oportunidades e as condições extremas fazem com que os personagens sejam comparados a animais, recurso conhecido como zoomorfismo. Fabiano, por exemplo, em diversos momentos sente-se como um bicho, incapaz de compreender plenamente o mundo à sua volta ou de expressar seus pensamentos.

Além disso, a repetição desse percurso evidencia a ideia de um “eterno retorno”, em que a esperança de mudança é constantemente frustrada. Mesmo quando conseguem um período de relativa estabilidade, a seca retorna e obriga a família a partir novamente. Essa estrutura circular reforça a crítica social presente no romance, demonstrando como a desigualdade e o abandono perpetuam a pobreza no sertão.

Outro elemento significativo é a inversão entre humanidade e animalidade. Baleia, a cadela da família, revela sentimentos de afeto, lealdade e sensibilidade, tornando-se, muitas vezes, mais humana do que os próprios personagens. Sua morte é um dos episódios mais emocionantes da obra, pois evidencia a profundidade de seus sentimentos e o vínculo afetivo com a família.

Portanto, Vidas Secas é uma obra que ultrapassa o retrato regionalista para denunciar problemas sociais que ainda persistem no Brasil. Ao expor a dura realidade dos retirantes, Graciliano Ramos convida o leitor a refletir sobre a responsabilidade coletiva na construção de uma sociedade mais justa, em que todos tenham acesso à dignidade e às oportunidades necessárias para romper o ciclo da exclusão.


Matéria por Fabiana Fellini - Educadora