Educanda da 3ª série se destaca na produção de resenha crítica sobre "Vidas Secas"
Educação
No contexto das atividades de leitura e produção textual desenvolvidas na 3ª série do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação em Garibaldi/RS, os educandos foram desafiados a elaborar uma resenha crítica sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, um dos mais importantes representantes da segunda fase do Modernismo brasileiro.
A proposta teve como objetivo aprofundar a compreensão da obra e estimular a construção de um posicionamento crítico fundamentado em argumentos e exemplos retirados do próprio romance. Na atividade, os educandos deveriam apresentar a obra, contextualizar os personagens e desenvolver uma das abordagens sugeridas, entre elas o ciclo da seca e a desumanização dos personagens, a exploração do trabalhador, a linguagem como reflexo da exclusão ou o contraste entre a animalização dos seres humanos e a humanização da cadela Baleia.
A partir dessa produção, os educandos puderam refletir sobre temas de grande relevância social, como a desigualdade, a exclusão educacional, o abuso de poder e a precarização da vida no sertão nordestino. Além disso, o exercício possibilitou o aprimoramento das competências de leitura, interpretação e escrita argumentativa, fundamentais para a formação acadêmica e cidadã.
Entre os trabalhos desenvolvidos, destacou-se a resenha crítica da educanda Letícia Pasini, que demonstrou excelente domínio da estrutura proposta, clareza na defesa de seu ponto de vista e sensibilidade na análise da obra. Com uma escrita consistente e bem fundamentada, Letícia evidenciou maturidade intelectual e grande capacidade de articular literatura e realidade social.
Confira, a seguir, a resenha produzida pela educanda.
Resenha Crítica – Vidas Secas
A obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, retrata a dura realidade dos retirantes nordestinos, que vivem em constante fuga da seca e da miséria. Publicado em 1938, o romance apresenta a trajetória de Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Baleia, personagens que enfrentam a fome, a exploração e a ausência de perspectivas em um ambiente hostil.
Um dos aspectos mais marcantes da narrativa é a forma como a seca provoca a desumanização dos personagens. Ao longo da obra, a família é obrigada a abandonar repetidamente o lugar onde vive, reiniciando sempre o mesmo ciclo de sofrimento. A falta de oportunidades e as condições extremas fazem com que os personagens sejam comparados a animais, recurso conhecido como zoomorfismo. Fabiano, por exemplo, em diversos momentos sente-se como um bicho, incapaz de compreender plenamente o mundo à sua volta ou de expressar seus pensamentos.
Além disso, a repetição desse percurso evidencia a ideia de um “eterno retorno”, em que a esperança de mudança é constantemente frustrada. Mesmo quando conseguem um período de relativa estabilidade, a seca retorna e obriga a família a partir novamente. Essa estrutura circular reforça a crítica social presente no romance, demonstrando como a desigualdade e o abandono perpetuam a pobreza no sertão.
Outro elemento significativo é a inversão entre humanidade e animalidade. Baleia, a cadela da família, revela sentimentos de afeto, lealdade e sensibilidade, tornando-se, muitas vezes, mais humana do que os próprios personagens. Sua morte é um dos episódios mais emocionantes da obra, pois evidencia a profundidade de seus sentimentos e o vínculo afetivo com a família.
Portanto, Vidas Secas é uma obra que ultrapassa o retrato regionalista para denunciar problemas sociais que ainda persistem no Brasil. Ao expor a dura realidade dos retirantes, Graciliano Ramos convida o leitor a refletir sobre a responsabilidade coletiva na construção de uma sociedade mais justa, em que todos tenham acesso à dignidade e às oportunidades necessárias para romper o ciclo da exclusão.